terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pensamento Antagônicos

(Manoel Silva Filho)
O ser humano em seu dilema assustado, com sua vitalidade não extinta, contrapõem-se a energia produtivista. E essa nova onda, em um novo tempo, o leva a questão de que as grandes verdades da modernidade não alcançaram os seus objetos. Agora trata-se de um fenômeno mais amplo - é a crise da razão. E isso leva o ser humano a idéia de unidade implodida e a sentimentos de precariedade.
No passo seguinte, o ser humano, inquieta-se e busca soluções para atender às suas necessidades com novos modelos e perdendo o enrijecimento dos conceitos dogmáticos, experimentam uma nova dinâmica social. Por consequência a Ciência torna-se mais hesitante e o intelectual vê suas teorias menos unificantes e não deterministas. Isto porque há formação de novos interstícios e há a compreensão de uma fractalidade e uma fluidez, em uma sociedade amorfa, que passa a assumir que o saber é incompleto e que o ser humano está em construção.
E é nessa intricada rede que o foco sai do macro social, demonstrando assim que o interesse não está mais voltado para os grandes eventos, mas sim, para a banalidade cotidiana, que, observada, a sociedade pode mostrar que está centrado em suas ambições o que tem de melhor e de pior também.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sem Querer

(Gabrinha da Cuíca)

...sem querer
  O meu braço esbarrou no seu braço
  Os seus olhos olharam nos meus olhos
  E ficamos parados.

...sem querer
  Os meus lábios beijaram os seus lábios
  O seu corpo ficou junto ao meu
  E ficamos colados.

...sem querer
  Minhas mãos deslizaram no seu corpo
  Os seus dedos abriram meus botões
  Sem querer nós estávamos nos amando.

...sem querer
  Acordei no outro dia no seu quarto
  Bem depressa me vesti e saí de mansinho
  Para não lhe acordar.

...sem querer
  Nunca mais eu voltei a lhe ver 
  Só agora fiquei a saber
  Que de AIDS você vai morrer.

...sem querer
  Lhe passei a doença, sem querer
  Muito embora eu não esteja a morrer
  Meu amor! e a morte... sem querer.